Deitamo-nos tarde, muito mais tarde do que tínhamos previsto. Foi uma noite muito agradável, era para ser a dois, mas mesmo à ultima da hora juntamos mais dois. Assim fomos sem rumo, sem reservas, sem nada. E escolhemos um sítio muito bom, ficamo-nos por qualquer coisa entre um aperitivo e um jantar, a conversa essa escorre sempre bem entre nós, são dois poucos casais, senão o único que me fazem esquecer por momentos da cumplicidade que deixei em Portugal.

O jeitoso foi fazer a noite e depois de poucas horas segui-lhe o percurso e também eu abandonei a cama que mal tinha aquecido. A Terça-feira seguiu-se igual a tantas outras, apesar do cansaço que me faziam querer estar em todo o lado menos ali, desempenhei as minhas tarefas sem que ninguém percebe-se o quanto me cansam clientes chatos e sem temas de conversa, ressalva feita aos poucos que dá um prazer enorme de ver entrar pela porta. Mas afinal de contas, são eles que me metem a comida na mesa e de vez em quando, tenho de me lembrar disto e esboçar um sorriso e respirar fundo.

Como hoje é dia de horário repartido, aproveitei para dormir uma bela sesta, também esta curta, baterias carregadas a 10% e lá vou eu para o segundo round, pelo caminho passo num mini mercado para comprar pasta de dentes, esqueço-me sempre de comprar alguma coisa nas compras do supermercado que faço no dia anterior. Mais três horas do mesmo e quando vejo o Luiz entrar pela porta, “arreganho-me” num grande sorriso, finalmente acabou, dou uma ultima vista de olhos para confirmar que está tudo pronto para passar o testemunho e termino num longo e demorado “ciao ragazzi, me ne vado, ci vediamo domani”.

Pelo caminho, nos curtos minutos que me separam do trabalho lembro-me que é a ultima Terça-feira que faço este horário, acabaram-se os repartidos. Chegada a casa enrosco-me no sofá com o jeitoso, segue-se o pulgas, e quando dou por mim tenho o cu do cão a dois centímetros da minha cara, gosto de aconchego, mas tanto também não. Venho para a cozinha, mordisco uma maça ao mesmo tempo que decido que pizza encomendar, a mesma de sempre “rucula e parmigiano”, de fundo tenho o telejornal que se começa a assemelhar ao de Portugal, crise e o esmiuçar das desgraças até ao osso. Desligo. Hoje não quero desgraças. Venho aqui, vejo email, cuscuviho facebook e escrevo este post. Consigo ouvir os ponteiros do relógio, tal não é o silencio. Paz de alma. Gosto disto.

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