Bebo regularmente café com um Português, amigo de longa data e que está ainda a dar os primeiros passos “por estas bandas”. A pessoa em questão chama-se Carlos e talvez pelo facto que tenha quase o dobro da minha idade e que as suas orientações sexuais sejam muito diferentes das minhas, faz que os nossos encontros sejam sempre muito descontraídos e sobretudos divertidos. Mas há uma coisa no Carlos que me chateia, e ele sabe, porque já lho disse vezes sem conta, entre nós não existe aquela coisa de não dizer isto ou aquilo para não ferir ou não magoar, diz-se e pronto, sempre com bom senso, claro está.

O Carlos arranja sempre um motivo para qualquer coisa que não lhe corre bem, não aceita o simples facto que por vezes alguma coisa possa andar pela estrada errada pelo simples facto que sim. Tudo para ele tem um motivo, tudo, das coisas mais complicadas às coisas mais simples e triviais do dia-a-dia. Dizia-me ele, que hoje, ao tirar do frigorifico o tapperware com o almoço, o mesmo lhe escorregou e caiu no chão, foi molho para tudo quanto era lado, teve uma trabalheira desgraçada e que no fim de contas ficou sem almoço, e tudo isto, pelo simples facto, que tinha apenas minutos antes, falado de uma pessoa que não nutria grandes amores. Tudo aqui.

Mais à frente na conversa, quando lhe perguntei de um projecto que sei que tem em mãos, me respondeu que ainda não o concluiu, porque fulana X o viu antes do tempo e por este motivo, dai para a frente, nada lhe correu bem, tendo que o iniciar vezes sem conta. Mais uma vez, um motivo.

Quando por fim, me queixei que ando com uma dor de cabeça desde ontem, talvez porque tenho dormido mal e pouco, ele me respondeu que o motivo poderia ser outro, talvez “inveja” ou ” mal-olhado”. E é sempre assim, sempre um motivo, normalmente culpa de outrem, para tudo.

Eu que não sou nada destas coisas, obvio que não aceito e estou constantemente a lixar-lhe a cabeça para se deixar disto, energias negativas são uma coisa, mas este exercício de culpar qualquer coisa ou alguém por tudo e por nada é desgastante. Direi que é no mínimo de loucos.

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